sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Nos minutos que precedem o fim
Eu gostaria de estar caminhando assim
Pela rua das Palmeiras
Dia frio, garoa, vento que corta
Os lábios e o pensamento de estar morta
Vidas tão passageiras.
Pela mão direita, levo João
Filho do meu coração
Que caminha quase arrastado.
Pela esquerda, Matias
Com todas as suas manias,
Me segura de punho cerrado.
A gente canta por todo caminho
Trocamos palavras de carinho
Fazemos nossa última refeição:
Café com leite e pão de queijo
Finalizamos com um beijo
E nos abraçamos para a explosão.
Como nos filmes clichês
No outro dia, nós três
Acordamos no dia anterior
Segue mais um último dia
Nos provocando nostalgia
Nos incentivando ao amor.
Último desejo II
Menino, o que é isso?
Levanta da minha cama
Me deixa por pijama
Que eu não te quero aqui.
Eu só queria uma foda
E você me concedeu
Obrigada, valeu
Mas eu não repito a refeição
Foi gostoso, admito
Mas estou de dieta
E minha comida predileta
É colorida e variada
Se quer amor, vai a luta
Procura uma namorada
Que eu sou só uma camarada
Curiosa e desprendida
Mas, conselho de amiga
Fode gostoso
Aproveita o gozo
E segue a tua vida.
Último desejo III
Foi naquele dia, naquele canto
Na volta que a parede fazia envolta a janela
Enquanto eu, morrendo de medo
Por saber que aquele seria o fim da minha paz,
Te presenteei com meu último beijo vazio.
Eu não pude impedir, não consegui me segurar.
Sua boca encheu a minha num enlace macio.
Seus cabelos encheram minhas mãos de seda.
Seu corpo encheu o meu de desejo.
Sua atitude encheu minha cabeça de referências.
Seu abraço encheu meu coração de amor.
Sua ausência me esvaziou.
Meus beijos nunca mais foram os mesmos.
Todos eles se encheram de você.
Todos.
Tolos os que acharam que eram únicos
Que eram especiais
Que eram diferentes.
Todos foram você.
Você foi meu último desejo.
domingo, 22 de novembro de 2009
Essa noite eu estou emotiva. E saudosa. Como tantas e tantas outras noites e dias e manhãs. Já diziam que a gente fica saudoso quando o presente não é bom o suficiente para suprir a nossa necessidade diária de felicidade. Aí, a gente busca o que falta no passado.
Meus dias, que sempre foram bons dias, não andam tão bons assim. Minha visão positiva da vida está dando lugar para o lado negativo, que insiste em se manter presente, mesmo com a minha recusa. O cerco vai fechando e, por mais que a gente insista, é inevitavel começar a entregar os pontos.
Já faz algum tempo que eu não me sinto em plena felicidade. Faz um tempo que eu não dou risada até chorar, nem que eu me divirto até não aguentar mais. Faz tempo que não tenho uma hstória nova para contar. Meu repertório é sempre o mesmo, e um tanto melancólico, devo admitir. E desinteressante também. Mais desinteressante do que melancólico.
Eu, que sempre estive no meio das atenções, me tornei a pessoa que se senta sozinha na mesa do canto da janela do restaurante. Aquela pessoa imperceptível.
Minha vida está precisando um pouco mais de mim mesma para melhorar, mas essa parte de mim não tem a mínima vontade de se manifestar. Eu não quero encher os ambientes de mim, porque existem os prós e os contras, e os contras são muito cansativos de se aguentar. Então, eu prefiro me anular e andar discretamente por entre aqueles que se mostram muito maiores do que eu, mesmo eu sabendo que não são.
Eu quero evitar desgastes porque essa não é a hora de me impor, mesmo sabendo que essa anulação vai acabar me matando.
Como pede a conveniência, eu me adaptei. E assim, senhores de mim, sejam felizes, porque o jogo é de vocês.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Ai, o passado...
O passado consiste no que já passou. Mas o que já passou as vezes não passa.
Ontem, no telecine cult passou Flashdance - e o Neto que gravou para mim, porque ele viu uma fita que eu, com 7 anos, dançava a música tema do filme desconjutóriamente -, o filme que eu assisti mais do que Escola de Rock e marcou a minha infância mais do que a Xuxa ou a Simony. Para se ter uma idéia, eu, 23 anos depois, ainda tenho todos os diálogos memorizados. Não só os diálogos, mas as cenas, as emoções.
Hoje, ele me parece muito mais sacana. A menina é uma pervertida, mas, enfim...
A primeira vez que eu assisti foi na casa da Tia Inês, quando passou pela primeira vez no Supercine. A gente sempre reunia as famílias no sábado a noite e, enquanto os pais conversavam borracha, eu ficava brincado com a Talita, o Thiago e a Jackie de escolinha. A gente ia embora depois da meia noite e eu achava o máximo. A Jackie dava aulas, porque era mais velha. Foi nessas aulas que eu aprendi a fazer conta de dividir com 3 números. Só que, nesse sábado, eu fiquei encantada já com as letras vermelhas que abrem o filme. Foi uma experiencia, eu diria, hipnotizante.
Uma das lembranças mais fortes que eu tive ontem foi de quando meu avô comprou um video cassete, que na época era o auge da tecnologia audiovisual, e, quando a gente ia passar férias na casa dele, ele deixava a gente pegar 20, 30 fitas. E, assim como a Clara só pegava A Rádio do Chico Bento, eu só pegava Flashdance. E assistia diversas vezes seguidamente. E ele ia deixando a fita lá, sem devolver, as férias inteiras. No dia que eu fui embora, eu estava na rua brincando e meu avô me chamou. Ele me sentou no colo dele, em uma poltrona marrom que ele sempre sentava e que ficava de frente pra porta e para a televisão. Ele ajustou a fita só para a hora da dança final. E a gente assistiu juntos. Ele me deu um beijo na testa e eu chorei porque estava indo embora - eu sempre chorava quando ia embora. Entrei no carro. Foi a última vez que eu ví meu avô.
Quase sempre, as coisas realmente não são como a gente espera que elas sejam. Eu não sou nem de longe uma bailarina de jazz. Eu não sou a Jhennifer Bills. Meu avô não está mais vivo e nem sequer eu durmo sábado depois da meia noite a maior parte deles. Só que hoje eu tenho outras coisas, e tenho isso, as lembranças, que eu carrego comigo e fazem parte da minha vida, que me tornam o que eu sou. Eu sou grata por tudo na minha vida. Eu não tenho nada do que me arrepender e nem me amargurar. Eu não tenho correntes e nem fantasmas para carregar. Eu tenho lembranças.
Entre elas, essa:
Primeiro, quando há nada
a não ser um sonho ardente e lento
que seu medo parece esconder nas profundezas
da sua consciência.
Sozinha, tenho chorado
lágrimas silenciosas cheias de orgulho
em um mundo feito de metal,
feito de pedra.
Bem, eu ouço a música,
fecho meus olhos, sinto o ritmo,
me deixo levar, seguro firme meu coração.
Que sensação.
Comece acreditando.
Eu posso ter tudo isso,
agora estou dançando por minha vida.
Pegue sua paixão
e faça-os acontecer.
Imagens tornam-se vivas,
você pode dançar por sua vida.
Agora, eu ouço a música,
fecho meus olhos, sou o ritmo.
Em um instante seguro firme meu coração.
Que sensação.
Comece acreditando.
Eu posso ter tudo isso,
agora estou dançando por minha vida.
Pegue sua paixão
e faça-os acontecer.
Imagens tornam-se vivas,
você pode dançar por sua vida.
Que sensação. SOU A MÚSICA AGORA
Comece acreditando. SOU O RITMO AGORA
Imagens se tornam vivas, você dançar direito por sua vida.
Que sensação. VOCÊ PODE REALMENTE TER TUDO ISSO
Que sensação. IMAGENS SE TORNAM VIVAS QUANDO EU CHAMO
Eu posso ter tudo isso. EU POSSO REALMENTE TER TUDO ISSO
Ter tudo isso. IMAGENS SE TORNAM VIVAS QUANDO EU CHAMO
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Aborrecimento?
De onde foi que tiraram que tédio é aborrecimento?
- eu ia acabar este post, mas o Neto veio me informar que o casamento que a gente vai hoje é as 18h. Agora são 17:35. Somos quatro para tomar banho e blá blá blá. Ele acabou de curar o meu tédio.
Bye!
sábado, 11 de julho de 2009
- uma mudança de casa (nunca imaginei que eu tivesse tanta coisa! E que ainda preciso de mais...);
- duas revistas, uma legal e uma chatíssima, tipo manual sócioeconomico;
- uma campanha para incentivo da carne inspecionada;
- uma campanha de combate a queimada urbana;
- uma campanha de valorização da cidade;
- os mesmos dois filhos;
- o mesmo marido;
- os mesmos quatro cachorros...
...e no fim do túnel, um recesso do dia 17 de julho ao dia 2 de agosto.
Porque eu mereço...